A Reforma Tributária não é um evento com data única para "acontecer". É um processo longo, que se estende até 2033. Mas dentro desse processo existe um ano que concentra as mudanças mais decisivas para o caixa das empresas: 2027.

É em 2027 que a CBS entra em vigor de fato, que o PIS e a COFINS são extintos e que o novo mecanismo de recolhimento — o split payment — começa a operar. Ou seja: a forma como você calcula imposto, precifica produtos e administra o seu fluxo de caixa muda a partir dali. E a diferença entre chegar preparado ou correndo atrás do prejuízo se decide agora, ao longo de 2026.

A transição, ano a ano

Vale ter a linha do tempo clara, porque ela orienta todo o planejamento:

  • 2026 — ano de teste. IBS e CBS aparecem nas notas com alíquotas simbólicas (0,1% + 0,9%), sem efeito tributário real para quem cumpre as obrigações acessórias.
  • 2027 — a virada. A CBS passa a ser cobrada de verdade, PIS e COFINS são extintos, o IPI é zerado (com exceção da Zona Franca de Manaus), o Imposto Seletivo entra em cena e o split payment começa a operar.
  • 2029 a 2032 — transição do IBS. O IBS sobe gradualmente enquanto ICMS e ISS são reduzidos na mesma proporção.
  • 2033 — sistema completo. Restam apenas CBS e IBS; os tributos antigos sobre consumo deixam de existir.

Sobre a alíquota da CBS em 2027: o que já dá para dizer

Aqui é preciso honestidade, porque circula muito número como se fosse definitivo. A alíquota oficial da CBS para 2027 ainda não está fixada. A Lei Complementar 214/2025 estabelece um rito: o governo encaminha a proposta ao Tribunal de Contas da União até 31 de julho, o TCU envia ao Senado até 15 de setembro, e o Senado fixa a alíquota até 31 de outubro do ano anterior à vigência.

Enquanto o número oficial não sai, existem estimativas. Uma das mais citadas, da empresa de tecnologia tributária ROIT, projeta uma alíquota de referência em torno de 9,43% para 2027, com possibilidade de cair nos anos seguintes conforme o split payment reduza a sonegação. Outras projeções apontam percentuais um pouco diferentes. O importante para o seu planejamento: trabalhe com estimativas para simular cenários, mas não trave decisões definitivas em cima de um número que ainda será oficializado.

Os três impactos que exigem preparação

Deixando de lado a alíquota exata, três efeitos da virada de 2027 já são previsíveis o suficiente para você começar a se preparar. Os exemplos abaixo são hipotéticos, apenas para ilustrar a lógica — os números reais dependem inteiramente do seu negócio e da alíquota que for oficializada.

1. Formação de preço. Com a extinção do PIS, da COFINS e do IPI e a entrada da CBS, a estrutura de custos dos seus produtos muda. Quem não recalcular o preço corre um de dois riscos: perder margem silenciosamente ou ficar caro demais para o mercado. Exemplo ilustrativo: um produto cuja precificação hoje embute IPI terá uma composição de custo diferente em 2027 — o preço precisa ser refeito, não herdado.

2. Fluxo de caixa e o split payment. Hoje, o imposto entra no seu caixa junto com a venda e você recolhe depois. Com o split payment, o valor do tributo é separado automaticamente no momento do pagamento e vai direto para o Fisco — ele deixa de "passar" pela sua conta. Exemplo ilustrativo: numa venda, em vez de receber o valor cheio e recolher o imposto semanas depois, você recebe já o valor líquido da parte tributária. Para muitas empresas, isso muda o capital de giro. Vale notar que, no início, o split payment tende a ser obrigatório nas vendas ao consumidor final e facultativo entre empresas — outro motivo para entender o mecanismo antes que ele chegue.

3. Aproveitamento de créditos. A não cumulatividade mais ampla do novo sistema tende a permitir créditos sobre uma faixa maior de compras e despesas do que hoje. Mas crédito só vira economia se a empresa estiver estruturada e com a documentação em ordem para aproveitá-lo. Exemplo ilustrativo: insumos e serviços que hoje não geram crédito podem passar a gerar — desde que registrados corretamente.

O planejamento que cabe fazer agora

Nada disso exige adivinhar o futuro. Exige preparar o terreno:

1. Simule cenários. Rode as contas com os seus números reais e com estimativas de alíquota, comparando o que você paga hoje com o que pagaria no novo sistema. O objetivo não é acertar o centavo — é entender a direção e o tamanho do impacto.

2. Revise contratos de longo prazo. Contratos que atravessam a virada de 2027 devem prever cláusulas de repasse ou revisão de tributos. Sem isso, você pode ficar preso a preços antigos quando a carga mudar.

3. Reavalie a estrutura tributária. O regime que faz sentido hoje pode não ser o melhor em 2027. Essa revisão precisa acontecer ao longo de 2026, não em cima da hora.

4. Prepare a operação. Sistemas, equipe e processos precisam estar prontos. A mudança não é só contábil — ela toca faturamento, precificação e caixa.

Por que a antecipação vale tanto

Num período de transição, tempo é vantagem competitiva. Quem começa a planejar em 2026 chega a 2027 ajustando detalhes; quem espera "para ver como fica" chega correndo, e quase sempre pagando mais caro por decisões tomadas às pressas. O planejamento tributário deixou de ser tarefa de fim de ano — virou estratégia de continuidade do negócio.

Quer entender, com os seus números, qual será o impacto de 2027 na sua empresa? A nossa equipe monta as simulações, revisa a sua estrutura e desenha o plano de transição com você — trabalhando com estimativas responsáveis e ajustando conforme os números oficiais saem. Começar agora é o que separa quem vai se adaptar de quem vai correr atrás. Vamos conversar?